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DECO7066 – Tópicos Especiais IV – MacroEconomia Ecológica

O professor Junior Garcia, do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Econômico (PPGDE) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), vice-presidente da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica e Coordenador do Grupo de Estudos em MacroEconomia Ecológica (GEMAECO), oferecerá no segundo semestre de 2021 a disciplina DECO7066 – Tópicos Especiais IV – MacroEconomia Ecológica para estudantes dos cursos de mestrado e doutorado.

A disciplina tem carga horária de 60h, com aulas síncronas realizadas às quartas-feiras das 14h às 16h via Microsoft Teams. O início previsto das aulas síncronas é dia 18 de agosto de 2021, com término em 08 de dezembro de 2021. O objetivo da disciplina é oferecer um espaço para reflexão sobre a emergente MacroEconomia Ecológica a partir de textos selecionados.

O período para solicitação de matrículas para estudantes externos ao PPGDE/UFPR é de 02 de agosto até às 12h de 06 de agosto de 2021. Apenas estudantes regularmente matriculados em programas de pós-graduação podem solicitar matrícula como estudante externo na disciplina.

Para mais informações sobre a matrícula para estudantes externos ao PPGDE/UFPR clique aqui.


Acessar plano de ensino da disciplina DECO7066 – Tópicos Especiais IV – MacroEconomia Ecológica.

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XIV Encontro da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica

Sociedade Brasileira de Economia Ecológica (ECOECO) é uma sociedade científica, sem fins lucrativos, voltada à organização e à estruturação no Brasil do campo de estudos e conhecimento transdisciplinar da Economia Ecológica, integrando distintos campos disciplinares como o da física (termodinâmica), da ecologia (ecossistema, resiliência, capacidade de suporte, serviços ecossistêmicos), da sociologia (justiça distributiva, equidade intergeracional) da economia (escala, alocação de recursos, custo de oportunidade, macroeconomia e microeconomia), entre outros.

Os Encontros bienais da ECOECO objetivam promover um espaço de aproximação e interlocução entre pesquisadores e instituições, bem como divulgar estudos desenvolvidos em suas temáticas de cobertura, incentivando as discussões acadêmicas sobre políticas públicas voltadas para a sustentabilidade ambiental e divulgando trabalhos e pesquisas científicas mais recentes.

Em 2021, o XIV Encontro Nacional de Economia Ecológica conta com a parceria institucional da Universidade Federal do Sul da Bahia e será realizado de maneira totalmente remota em função da crise sanitária pela qual o Brasil e o mundo atravessam. Esta edição do Encontro Nacional de Economia Ecológica tem como tema “Crises Sistêmicas e as Contribuições da Economia Ecológica”.

A ocorrência da pandemia de COVID-19 é um sinal de alerta para a emergência de uma possível nova era pandêmica, na qual possivelmente serão cada vez mais frequentes crises sanitárias globais, que se somam às crises socioambientais próprias do Antropoceno. A emergência climática, a rápida erosão da biodiversidade e o surgimento de pandemias são desafios para a espécie humana e que se conectam às agressivas perturbações ao delicado e complexo equilíbrio ecossistêmico do Planeta Terra. A humanidade deve coletivamente agir no sentido de impedir que tais crises sistêmicas impeçam as condições para a continuidade do processo civilizador humano.

A Economia Ecológica pode e deve contribuir com este debate, oferecendo uma visão realista das relações entre sistema econômico e meio ambiente. Como os sistemas econômicos devem reagir a tais crises? Qual o futuro do ensino das ciências econômicas e das ciências ecológicas? Qual deve ser o significado de crescimento econômico e prosperidade humana neste contexto? Qual o papel da ciência e dos pesquisadores? O atual ritmo de mobilização coletiva é suficiente para impedir uma catástrofe socioambiental? O debate sobre sustentabilidade ganhará novo impulso a partir da pandemia de COVID-19?

As perguntas acima guiarão as discussões do XIV Encontro Nacional de Economia Ecológica. A intenção é que o evento não forneça respostas prontas e definitivas, mas apresente subsídios e elementos para a busca de respostas para as crises sistêmicas que farão do século XXI um século desafiador e decisivo para a humanidade.

Convidamos a todos e todas para participarem conosco deste momento de reflexão. Pesquisadores, professores, estudantes de graduação e pós-graduação de todas as áreas e níveis, assim como atuantes em setores fora da academia e preocupados com a questão ambiental são muito bem-vindos a submeterem trabalhos e darem suas contribuições!

A chamada para submissão está aberta de 18 de maio a 26 de julho de 2021.

Participem e divulguem nosso evento! Será um prazer tê-los (as) conosco!

Acessar página do XIV Encontro da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica

Prof. Daniel Caixeta Andrade (pela Comissão Organizadora Nacional)

Prof. Leonardo Evangelista Moraes (pela Comissão Organizadora Local)

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Economia do Meio Ambiente, lançamento da 3ª edição, 2018

capa

O livro “Economia do Meio Ambiente”, de Peter May, é um suporte para compreensão da economia em um contexto ecológico.

A Economia Ecológica se define como um campo de conhecimento transdisciplinar (ou seja, que transcende as fronteiras disciplinares), desenvolvido a partir do reconhecimento de que, de um lado, o sistema socioeconômico baseia-se e depende dos sistemas naturais, e, de outro, interfere e transforma o funcionamento destes últimos. Em vez de colocar o bem-estar do homem no centro das preocupações, a Economia Ecológica preocupa-se igualmente com o fundamento ético das sociedades humanas que menosprezam (em vez de venerarem) os direitos das demais espécies de continuar existindo, tendo promovido ações que levam à extinção acelerada.

O lançamento da 3ª edição de Economia do Meio Ambiente é organizado de Peter May, Doutor em Economia dos Recursos Naturais pela Universidade de Cornell (Reino Unido) e professor do Departamento de Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (DDAS/UFRJ). Neste livro, foi reunida uma ampla gama de autores brasileiros, que apresentaram a ótica das diversas escolas representadas no país, para mostrar a necessária integração entre a ecologia e a economia nos dias de hoje, e a sua superação numa visão transdisciplinar – o cerne da Economia Ecológica. “É um dos poucos se não o único livro focado nas condições do Brasil para disciplinas de graduação e pós-graduação em economia do meio ambiente, representando diferentes correntes de pensamento” conta Peter May. Essa nova edição, consideravelmente ampliada e totalmente atualizada, representa uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica (ECOECO), que busca o desenvolvimento e a disseminação da Economia Ecológica no Brasil.

O livro inclui uma abordagem do tópico central da Economia Ecológica, qual seja a dimensão entrópica do processo econômico, em capítulo esclarecedor escrito por Andrei Cechin. A obra procura desvendar assuntos que dizem respeito à aplicação de metodologias da ciência econômica tradicional a temas que trazem a realidade das imposições, restrições e exigências da dimensão da natureza em tudo o que os seres humanos, e sua atividade econômica, fazem.

“A obra introduz o leitor aos principais temas que servem de foco de pesquisa e assessoria sobre políticas públicas do desenvolvimento sustentável do país, desde a ótica da economia do meio ambiente, incluindo gestão de recursos hídricos, biodiversidade, uso do solo e energia, entre outros” ressalta o economista ecológico.

O livro apresenta vários capítulos que tratam das temáticas abordadas na MacroEconomia Ecológica como:

1. Economia ou Economia Política da Sustentabilidade

6. Mensurando a Sustentabilidade

7. Contabilidade Ambiental Nacional: Fundamentos Teóricos

9. Macroeconomia Ecológica: Evolução e Perspectivas

15. Setor Financeiro e Sustentabilidade

 

Economia do Meio Ambiente

Páginas: 433

Preço Sugerido: R$ 138,90

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Sobre a Elsevier

A Elsevier é uma empresa global de informação analítica que ajuda instituições e profissionais a progredir na ciência e cuidados avançados com saúde e melhorar a performance para benefício da humanidade. Elsevier fornece soluções digitais e ferramentas nas áreas de gestão de pesquisa estratégica, R&D (Research & Development), performance, suporte para decisão clínica e educação profissional, incluindo ScientDirect, Scopus, ClinicalKey e Order Sets. A empresa publica mais de 2.500 publicações digitais, incluindo The Lancet e Cell, mais de 35.000 e-books, títulos e muitos trabalhos de referência, como Gray’s Anatomy. Faz parte do RELX Group, um provedor mundial de informação e análise para profissionais e instituições de diversas áreas da indústria. www.elsevier.com.br

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Daniela Cacioli – assistente@dfreire.com.br

Fonte: Elsevier.

Agosto, 2018

Georgia Barros

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EDITAL Nº 01/2021 – CHAMADA PARA PARTICIPAÇÃO EM PROJETO DE EXTENSÃO DO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ – UFPR

  • Informações sobre o Projeto de Extensão:
    • Título do projeto: “Economia, Universidade e Sociedade: uma oportunidade de aproximação via redes sociais”
    • Acesse o projeto de extensão pelo link: https://goo.gl/qvBpXZ
    • Coordenador: Junior Ruiz Garcia (currículo Lattes)
    • Vice-coordenadora: Angela Welters (currículo Lattes)
    • Unidade de origem: Departamento de Economia
    • Áreas temáticas do projeto: meio ambiente, sociedade, economia, entre outras áreas.
  • Informações sobre a participação:
    • Carga horária semanal para o desenvolvimento das atividades:
      • Voluntário: mínimo 4 horas semanais / máximo 12 horas semanais
      • Bolsista*: 12 horas semanais

* Depende da disponibilidade de bolsa, Edital PROEC/UFPR nº 1/2021 – Bolsas de Extensão 2021.

  • Período de participação voluntária: 01/07/2021 à 30/06/2022
    • Período de participação como bolsista: definido pela PROEC.
  • Síntese das atividades a serem desenvolvidas pelos(as) voluntários(as): busca, seleção e compartilhamento de informações relacionadas às áreas temáticas do projeto de extensão; preparação de material visual para divulgação das informações; atendimento aos seguidores, não seguidores e usuários do Facebook em geral; análise das informações disponibilizadas pelo Facebook para avaliação do desempenho das páginas; elaboração de materiais originais para divulgação nas páginas; auxílio na manutenção e atualização geral das páginas; auxiliar no planejamento, desenvolvimento e execução de atividades de extensão, como oficinas, cursos, palestras e ações diversas. Recomenda-se fortemente a leitura do projeto (ver item 1.2).
  • Local onde as atividades serão desenvolvidas: enquanto perdurar a suspensão das atividades presenciais na UFPR, o desenvolvimento ocorrerá em formato remoto.
  • Inscrições:
    • De 22 a 25 de junho de 2021
  • Estar ciente das Resoluções CEPE nº 25/11 (alterada pela Resolução nº 37/15-CEPE) e 72/11 (alterada pela Resolução nº 70/12 de 20 de dezembro de 2012), Instrução Normativa (IN) nº 03/2019 – PROEC; Instrução Normativa (IN) nº 04/2019 – PROEC.
  • Dúvidas podem ser enviadas para o e-mail: jrgarcia.ufpr@gmail.com
  • A homologação das inscrições será comunicada via e-mail aos inscritos no dia 26 de junho de 2021.
  • Seleção:
    • Critérios de seleção:
      • Análise do histórico acadêmico (escolar) (peso 20%)
      • Análise de currículo (peso 30%)
      • Entrevista (peso 50%)
        • As entrevistas acontecerão dia 28 de junho de 2021 entre 9h e 11h via Google Meet.
        • A não participação na entrevista implica na desclassificação da candidata ou candidato.
  • A seleção será realizada pelo Professor Junior Ruiz Garcia, coordenador do projeto de extensão.
  • Informações complementares:
    • Condições para realização da inscrição conforme Resoluções CEPE nº 25/11 (alterada pela Resolução nº 37/15-CEPE) e 72/11 (alterada pela Resolução nº 70/12 de 20 de dezembro de 2012), Instrução Normativa (IN) nº 03/2019 – PROEC; Instrução Normativa (IN) nº 04/2019 – PROEC; Edital PROEC/UFPR nº 1/2021 – Bolsas de Extensão 2021:
      • estar regularmente matriculado ou matriculada em curso de graduação ou técnico da UFPR;
      • concordar com os deslocamentos que se fizerem necessários ao desenvolvimento das atividades previstas no projeto;
      • apresentar tempo disponível para se dedicar às atividades previstas no projeto, de forma que a carga horária relativa definida (mínimo 4 horas/semana; máximo 12 horas/semana) não se sobreponha aos horários de suas atividades curriculares.
    • Compromissos e atribuições para a voluntária ou voluntário de extensão conforme Resoluções CEPE nº 25/11 (alterada pela Resolução nº 37/15-CEPE) e 72/11 (alterada pela Resolução nº 70/12 de 20 de dezembro de 2012), Instrução Normativa (IN) nº 03/2019 – PROEC; Instrução Normativa (IN) nº 04/2019 – PROEC:
      • cumprir a carga horária definida no termo de adesão;
      • zelar pelo cumprimento das responsabilidades e condições estabelecidas previstas no Termo de Adesão;
      • participar das atividades definidas com o(a) orientador(a) do projeto;
      • seguir orientação do professor orientador ou professora orientadora;
      • incluir o nome do orientador ou orientadora, nas publicações e trabalhos apresentados em congressos e seminários, cujos resultados estão vinculados ao período de orientação e forem relativos ao Programa ou Projeto de extensão do qual é bolsista;
      • utilizar a identificação visual obrigatória da UFPR e do projeto nas publicações e nos trabalhos apresentados em eventos de qualquer natureza e em qualquer meio de divulgação cujos resultados estejam vinculados ao período da bolsa.
  • Resultado: a divulgação será apresentada até o dia 28 de junho de 2021 por e-mail.
  • Documentação que deverá ser enviada por e-mail (jrgarcia.ufpr@gmail.com) pelas candidatas ou pelos candidatos selecionados até o dia 28 de junho de 2021:
    • Histórico acadêmico atualizado;
    • Termo de adesão para discente de serviço voluntário preenchido

Download do termo de adesão: http://bit.ly/35oG0gc

Curitiba, 15 de junho de 2021

Junior Ruiz Garcia

Professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná

Coordenador do Projeto de Extensão

Edital nº 01/2021 – Seleção de Estudantes de Iniciação Científica 2021/2022

  • Informações sobre o Projeto de Pesquisa:
    1. Título do projeto: MacroEconomia Ecológica no Brasil: emergência, panorama, perspectivas e desafios
    2. Acesse o projeto de pesquisa pelo link: download
    3. Coordenador: Junior Ruiz Garcia (currículo Lattes)

  • Informações sobre a bolsa:
    • Participação na iniciação científica (não há garantia de bolsa remunerada)
    • Duração das bolsas: 01/09/2021 à 31/08/2022
    • Temas vinculados ao projeto:
      • Reflexões teóricas sobre a macroeconomia convencional frente ao Paradigma do Desenvolvimento Sustentável
      • MacroEconomia Ecológica: reflexões teóricas
      • MacroEconomia Ecológica no Brasil
      • MacroEconomia Ecológica e Desenvolvimento Sustentável

  • Critérios de seleção:
    1. Análise do histórico acadêmico (escolar) (peso 20%)
    2. Análise de currículo (peso 30%)
    3. Entrevista (peso 50%) – realizada via Microsoft Teams

  • Resultado: a divulgação será realizada até o dia 21 de maio de 2021 por e-mail.

Curitiba, 04 de maio de 2021

Junior Ruiz Garcia

Evento online: Voluntários contra a COVID

O ciclo de eventos de extensão “Oportunidades, Estratégias e Soluções em um Contexto de Pandemia” abre espaço para a apresentação da iniciativa “Voluntários contra a COVID“.

A iniciativa é formada por um grupo de voluntários engajados no auxílio de comunidades que, devido aos impactos econômicos e sociais da pandemia COVID-19, passam por necessidades. É uma ação entre amigos e o objetivo é distribuir marmitas em comunidades carentes na região metropolitana de Curitiba.

O Professor Valderilio Feijó realizará a apresentação da iniciativa Voluntários contra a COVID.

Faça sua inscrição

Informações:

Data e horário de sua realização: 21 de maio de 2020, das 17h30min às 18h30min.

Acesso ao evento: https://meet.google.com/goc-nkon-dyw

Contato: jrgarcia.ufpr@gmail.com

Evento online: Juntos contra o COVID

O ciclo de eventos de extensão “Oportunidades, Estratégias e Soluções em um Contexto de Pandemia” abre espaço para a apresentação da iniciativa “Juntos contra o COVID“. A iniciativa é formada por um grupo de profissionais de diferentes áreas de atuação, cujo objetivo é ajudar os cidadãs(aos) e as agências de saúde pública a identificar pontos atuais e potenciais do vírus pandêmico coronavírus (COVID-19).

O Juntos Contra o Covid conta com a participação voluntária do público em geral, solicitando apenas alguns segundos para informar se você ou seus familiares estão saudáveis ou doentes. As informações são analisadas e mapeadas para gerar visões nacionais da infecção pelo coronavírus, fornecendo às autoridades de saúde pública e pesquisadores informações anônimas em tempo real que podem ajudar a encerrar a pandemia e impedir que o vírus se alastre.

O Professor Valderilio Feijó realizará a apresentação da iniciativa Juntos contra o COVID.

Faça sua inscrição

Informações:

Data e horário de sua realização: 19 de maio de 2020, das 17h30min às 18h30min.

Acesso ao evento

Contato: jrgarcia.ufpr@gmail.com

Webinar – Força-tarefa Covid-19

O Grupo de Estudos em MacroEconomia Ecológica (GEMAECO) e o Núcleo de Estudos em Economia Social e Demografia Econômica (NESDE), vinculados ao Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), oferecem a comunidade o Webinar “Força-Tarefa COVID-19: a importância da comunicação dos riscos de propagação da epidemia por contágio comunitário” com a Professora Ariadne Sílvia de Farias.

O Webinar está vinculado ao projeto de extensão “Economia, Universidade e Sociedade: uma oportunidade de aproximação via redes sociais“, sob coordenação do Professor Junior Ruiz Garcia e vice-coordenação da Professora Angela Welters, ambos do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

O objetivo do Webinar é apresentar o trabalho de cooperação técnica que vem sendo realizado por pesquisadores dos estados do Paraná (Universidade Federal do Paraná – UFPR e Instituto Superior de Administração e Economia – ISAE) e do Rio Grande do Norte (Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN), para o fortalecimento das ações que buscam gerar informações qualificadas para toda a sociedade. Os trabalhos têm sido desenvolvidos no âmbito do Grupo de Pesquisa em Dinâmicas Ambientais, Risco e Ordenamento do Território (GEORISCO).

O propósito é demonstrar como a academia vem desenvolvendo ações de prevenção aos riscos de propagação da COVID-19, bem como a pesquisa científica e as práticas voluntárias extensionistas podem contribuir para o enfrentamento ao novo Coronavírus. Além disso, no dia 05 de junho, celebra-se o Dia do Meio Ambiente, e a temática proposta também prevê a discussão acerca da relação sociedade-natureza em tempos de pandemia no Brasil e no mundo.

Gravação do Webinar

Informações:

Data e horário de sua realização: 05 de junho de 2020, das 19h às 20h.

O evento foi realizado no Microsoft Teams.

Orientações sobre o uso do Microsoft Teams.

Contato: jrgarcia.ufpr@gmail.com

Covid-19, as Pessoas e a Economia

Por Junior Garcia

Disponível no Medium.

As expectativas de mercado do Banco Central do Brasil (BCB), publicadas no dia 08 de maio de 2020, indicam uma queda de 4,25% da Economia Brasileira em 2020, ou seja, do Produto Interno Bruto (PIB). Este cenário tem sido influenciado pela pandemia de covid-19, que exigiu a adoção de medidas, como o isolamento social e o lockdown, as quais afetam negativamente as atividades econômicas. Apenas o setor agropecuário tem expectativa de crescimento de 1,95%.

Expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) Brasileiro total e por grandes setores econômicos para 2020: atualização 08 de maio de 2020. Fonte: preparado pelo autor com base em BCB.

Neste momento de pandemia, a preocupação deveria ser a preservação da vida, mas o debate sobre como “salvar a Economia”, “salvar empregos” e a “Economia pós-pandemia” ainda está muito presente na sociedade. Estas questões estão tão presentes na sociedade, que têm afetado a efetividade das medidas contra a covid-19 no Brasil e em outros países. Apesar do elevado número de pessoas mortas no mundo, estimado em mais de 283 mil até 10 de maio de 2020; no Brasil alcançou 11.123as pessoas ainda insistem em desrespeitar as orientações de isolamento social. Este desrespeito não coloca apenas a vida da pessoa em risco, mas de toda a comunidade.

Antes de discutir quais devem ser as medidas econômicas a serem adotadas neste momento de pandemia e no pós-pandemia, é preciso ter claro o que é esta tal de Economia. Neste aspecto, por que a sociedade “inventou” a Economia? Qual é o real objetivo da Economia?

O termo “Economia” utilizado pelas pessoas e tomadores de decisão é aquele entendido como sistema econômico. Então, quando alguém afirma que precisamos “salvar a Economia”, na verdade, estaria, consciente ou inconscientemente, referindo-se “precisamos salvar o sistema econômico”. Mas o que é o sistema econômico?

O sistema econômico é a forma pela qual a sociedade organiza a produção bens e serviços e sua distribuição, cujo objetivo é atender as necessidades essenciais das pessoas. Então, o objetivo da Economia — sistema econômico — não é a geração de emprego ou renda, mas fornecer os meios necessários para a sobrevivência humana, tais como alimentação, moradia, serviços de saúde etc. A partir desta consideração, o sistema econômico está ameaçado com a pandemia de covid-19?

Diagrama do Fluxo Circular da Renda e do Produto. Ver O que é fluxo circular de renda

Cabe destacar que existem diversas formas de organização do sistema de produção e distribuição de uma sociedade. No século XXI, a organização predominante na escala nacional e global de sistema econômico é o sistema capitalista. Uma das características do sistema capitalista, dentre outras, é a necessidade de “dinheiro” para viabilizar a produção e proporcionar o acesso das pessoas aos bens e serviços produzidos. Isto significa que sem “dinheiro” não haveria produção e consumo no sistema capitalista.

A pandemia de covid-19, ao afetar negativamente as atividades econômicas, estaria colocando a Economia em perigo, pois as pessoas não teriam “dinheiro” para ter acesso aos bens e serviços e, com isso, financiar a produção. Mas será mesmo que a Economia está em perigo neste momento? A pandemia não está destruindo a sua estrutura física e institucional, ou seja, as fábricas, máquinas e o direito de propriedade estão preservados.

O efeito da pandemia, portanto, é sobre a capacidade de obtenção de “dinheiro” — renda — das pessoas. Obviamente nem de todas as pessoas estão sofrendo uma queda na renda, mas apenas daquelas que precisam diariamente obter sua renda, especialmente aquelas vinculadas aos setores informais da Economia. Infelizmente estas pessoas compõem a maior parcela da sociedade. Por isso, estas pessoas são mais relutantes em seguir as orientações de isolamento social.

Imagem de Joel santana Joelfotos por Pixabay.

Existe outra forma das pessoas terem acesso aos bens e serviços essenciais para sua sobrevivência? Desde que seja garantida a produção desses bens e serviços essenciais, o governo poderia oferecer as pessoas afetadas recursos monetários — “dinheiro”. Com este “dinheiro”, as pessoas poderiam garantir o acesso aos bens e serviços essenciais. Essa ação poderia incentivar a aceitação das medidas de isolamento social ou de lockdown na sociedade, pois as condições mínimas de bem-estar estariam garantidas pelo Estado. Nesta situação, por que as pessoas não seguiriam as orientações de isolamento social?

O aumento do isolamento social além de salvar vidas, também reduziria o risco para aquelas pessoas que precisam exercer suas atividades, consideradas essenciais pela sociedade, tais como dos setores de alimentos, energia, comunicação e, obviamente, de saúde. O menor fluxo de pessoas nas ruas reduziria a velocidade de contágio por covid-19 e período necessário de manter o isolamento social.

O debate sobre como “salvar a Economia” tem reduzido a adesão ao isolamento social no Brasil. Assim, os dados mostram o agravamento e o prolongamento da pandemia e de seus efeitos negativos sobre a sociedade e a Economia. Se o governo brasileiro tivesse adotado desde o início uma postura mais contundente no enfrentamento da covid-19, talvez a situação estivesse melhor, com um número muito menor de infectados e de óbitos. Em resumo, o debate sobre “salvar a Economia” apenas tem agravado o enfrentamento da pandemia, além de minar as condições para retomada da produção e do consumo.

Como neste momento, o problema não é necessariamente com a produção, mas sim com a distribuição — acesso das pessoas — , por que o governo brasileiro não garante as condições para que as pessoas afetadas pela pandemia de covid-19 tenham acesso aos bens e serviços?

Ilusão verde

Por Junior Garcia

O documentário produzido por Michael Moore, escrito e dirigido por Jeff Gibbs, Planet of the Humans, levanta uma importante questão negligenciada no debate ambiental, mencionada como ilusão verde, os limites das tecnologias verdes ou ditas limpas. O enfrentamento das mudanças climáticas tem sido associado as tecnologias verdes, tais como biocombustíveis, energia eólica e solar e carro elétrico. O uso e os investimentos realizados nestas tecnologias verdes têm aumentado no mundo.

Planet of the Humans, documentário.

A ideia básica é que estas tecnologias, rotuladas como verdes ou limpas, contribuiriam de maneira efetiva e suficiente para a redução das emissões de gases de efeito estufa e a resolução dos problemas ambientais e sociais. Estas tecnologias gerariam emprego e renda verde e ainda reduziriam os impactos ambientais, se configurando na tabua salvadora do padrão vida da sociedade capitalista.

Acontece que a problemática ambiental, primeiro, não se resume apenas as emissões, mas envolve um amplo conjunto de impactos ambientais decorrentes da ação humana, tais como desmatamento, perda de biodiversidade, degradação pela mineração, poluição química, entre outros. Em segundo lugar, a Lei da Entropia – 2ª Lei da Termodinâmica mostra, de maneira irrefutável, que não existe tecnologia verde ou limpa como vendido pelos capitalistas e alguns “ambientalistas”, isso porque não existe nenhuma tecnologia moto perpétua ou moto contínua.

Por último, a resolução dos problemas sociais passa por uma profunda mudança na estrutura de apropriação dos benefícios gerados pelo sistema econômico. Os investimentos em tecnologias verdes sob a base econômica e social vigente, não é capaz de reduzir a desigualdade. Na verdade, a ilusão verde pode agravar a desigualdade a partir da sobre-exploração de recursos naturais não-renováveis, aumento dos custos de produção e de consumo de bens e serviços básicos nas sociedade mais pobres, entre outros. O aumento da desigualdade, como mostrado por Thomas Piketty em seu estudo O Capital no século XXI, apresenta uma tendência crescente no sistema capitalista, portanto, se configura um problema estrutural.

Neste contexto, as importantes limitações das tecnologias verdes não têm sido discutidas na academia e na mídia, por conseguinte, na sociedade, na formulação de política pública e nem no setor privado. A falta de reflexão sobre as limitações destas tecnologias tem criado uma verdadeira ilusão verde na sociedade, incentivando a produção e o consumo sem remorso – sem considerar as perdas ambientais e sociais. Agora o crescimento econômico é verde e limpo, portanto, as tecnologias verdes oferecem uma solução ganha-ganha: aumento da produção e do consumo, acompanhado da melhoria ambiental e social.

As tecnologias verdes, na verdade, se tornaram um negócio como outro qualquer do sistema capitalista, cujo objetivo continua sendo apenas proporcionar a manutenção do crescimento das economias – medida pelo Produto Interno Bruto (PIB) e, claro, do lucro monetário. Nem mesmo o setor privado acredita que estas tecnologias verdes sejam a solução para a problemática ambiental e social, como mostrado no documentário de Michael Moore, Planet of the Humans.

A produção de biocombustíveis, como biodiesel e etanol, é realizada sob bases não-renováveis, além de resultarem em outros impactos ambientais e sociais em seus processos agrícolas e industriais. No sistema agrícola, apesar do avanço tecnológico, por exemplo, destacam-se a continua necessidade de expansão da fronteira de produção (novas áreas ou substituição de culturas), uso crescente de agroquímicos (fertilizantes e agrotóxicos) e de maquinário e o uso intensivo do solo e da água, os quais têm aumentado sem precedentes a pressão sobre os recursos naturais.

No caso brasileiro, por exemplo, entre 1990 e 2018, a área plantada com soja e cana-de-açúcar, dois importantes insumos para a produção de biocombustíveis, aumentou 182%, passando de 15,9 milhões de hectares para 44,9 milhões – aumento de 29 milhões. Este aumento de área representa um território equivalente a três vezes a área de Portugal! Esta expansão territorial tem acirrado os conflitos fundiários e ambientais no Brasil. Infelizmente, o governo brasileiro tem contribuído para este acirramento com o desmonte de todo o sistema de proteção ambiental e social. Neste mesmo período (1990-2018), as estimativas indicam que a área desmatada no Bioma Amazônico totalizou 40,1 milhões de hectares; no Cerrado 22,1 milhões. Estas regiões abrigam importante parcela da área cultivada no Brasil, denominadas como o celeiro do mundo.

Dinâmica similar é observada no uso de agroquímicos (fertilizantes e agrotóxicos), que em sua maioria é de origem não-renovável. Em 2017, a agropecuária brasileira utilizou 16,6 milhões de toneladas em fertilizantes de origem não-renovável, sendo que 84% foi importado; em termos dos agrotóxicos foram 337,2 mil toneladas, 77% foi importado. Sem contar a contaminação causada pelo uso excessivo e intensivo destes agroquímicos no solo, na água, na atmosfera, nos animais e na saúde humana. Esta não é uma característica exclusiva do Brasil, mas se repete nos principais países agropecuários do mundo.

amissphotos (pixabay.com)

A moderna agricultura não existe sem o uso (crescente e intensivo) de agroquímicos para compensar as perdas de nutrientes dos solos e do controle natural de pragas e doenças.

Nem mesmo os sistemas de geração eólica e solar e os carros elétricos estão imunes a degradação da qualidade ambiental e aos problemas sociais. A fabricação dos sistemas de geração eólica, de placas fotovoltaicas, dos carros elétricos e seus acessórios também é fortemente baseada em recursos naturais não-renováveis, além da poluição gerada e dos conflitos sociais nas áreas produtoras dos recursos minerais.

Estas tecnologias verdes utilizam na fabricação de suas (infra)estruturas um conjunto de recursos minerais e de outros elementos com elevado grau de impactos ambiental e de ameaça à saúde humana, tais como: ácido adípico, arsenieto de gálio, bauxita (alumínio), cádmio, carvão mineral, chumbo, cobalto, cobre, concreto, disseleneto de cobre-índio, estanho, fluoreto de amônio, grafite, hexafluoreto de enxofre, hidróxido de sódio, índio, lítio, minério de ferro, molibdênio, níquel, oxicloreto de fósforo, petróleo, polímeros, prata, silício, telureto de cádmio e terras raras.

Special report : Inside the Congo cobalt mines that exploit children

Vale ressaltar que a extração dos minerais ocorre em situações ambientais e sociais degradantes nos países em desenvolvimento e nos países pobres. O documentário mostra algumas destas áreas de extração, que usam, inclusive, mão-de-obra infantil e em situação precárias de trabalho. Estes são os ingredientes de tecnologias sustentáveis ou verdes? Contudo, esta é apenas parcela da receita vendida para a sustentabilidade pelo capital verde sob o rótulo de crescimento verde.

Nesta receita para a sustentabilidade, baseada nas tecnologias verdes, também é preciso considerar que toda a (infra)estrutura dos sistemas de geração eólica e solar, além dos carros elétricos e seus acessórios, tem vida útil limitada, portanto, precisa ser substituída constantemente. As estimativas indicam que as turbinas eólicas têm vida útil de 20 anos; painéis solares 25 anos; carros elétricos e suas baterias 10 anos. A quantidade de resíduos com elevado potencial de contaminação ambiental e a saúde humana é enorme. Vale ressaltar que os sistemas de reciclagem no mundo são imperfeitos, com baixa taxa de reciclagem; a reciclagem também nunca é completa e sempre exige a entrada de matéria e energia novas para ser realizada em razão da Lei da Entropia.

Nem mesmo a geração de energia elétrica a partir da fonte eólica ou solar está imune aos impactos ambientais e sociais. Agora temos os desertos solares e eólicos, livres de fauna e flora, afetando, por exemplo, a biodiversidade e os serviços de regulação climática, além dos impactos sociais, conforme mostrado no documentário.

Ivanpah Solar Power Facility from the air 2015
“BIRD STRIKE” — WINDMILLS ARE KILLING THOUSANDS OF BIRDS

Estes desertos solares e eólicos estão em franca expansão no mundo, sustentada e incentivada pela ilusão verde. Afinal, agora o crescimento econômico é verde!

Desse modo, além de todos os impactos ambientais e sociais relacionados a extração e ao processamento dos inúmeros minerais necessários para a produção das (infra)estruturas, tem-se ainda os impactos decorrentes do uso e manutenção. Assim, a pegada ecológica, de carbono e hídrica das tecnologias verdes também são enormes, especialmente quando consideramos a sua escala física, a qual tem sido negligenciada sistematicamente pela academia, sociedade, autoridades políticas e lideranças ambientais. O documentário mostra um cenário interessante e ignorado pela sociedade relativo as lideranças ambientais.

A energia do sol e do vento são renováveis, mas não as (infra)estruturas construídas pela sociedade necessárias para captura-las e transforma-las em energia elétrica. Acontece que a energia do sol ou do vento não tem qualquer valor para a sociedade, mas apenas a energia elétrica. A sociedade e sistema econômico atuais não existem sem energia elétrica.

De nada adiante toda a (infra)estrutura tecnológica produzida pela sociedade sem energia elétrica.

Diante deste quadro, não há outra saída para o enfrentamento dos desafios postos pela problemática ambiental e social que não seja a drástica redução (senão eliminação) da produção e do consumo dos bens e serviços não-essenciais, de luxo ou posicionais. Não cabe em um Planeta finito em recursos naturais, um sistema econômico e social baseado na crença da produção e do consumo crescente e infinito e dos desejos infinitos e insaciáveis; ou mesmo no axioma econômico de que mais é melhor do que menos. A produção e o consumo a partir das tais tecnologias verdes é apenas uma ilusão vendida pelas lideranças políticas e ambientais e pelas grandes corporações amigas do meio ambiente.

A nossa geração precisa acordar urgentemente desta ilusão verde! Precisamos iniciar a mudança o quanto antes para um sistema social e econômico que reconheça os limites absolutos do crescimento econômico, e da falsa premissa de que é possível crescimento econômico com proteção ambiental. Precisamos sair deste modelo baseado exclusivamente no crescimento econômico, para um modelo que tenha por objetivo a melhoria efetiva e real da qualidade de vida das pessoas e da qualidade ambiental. Até quando continuaremos buscando a tabua salvadora de nosso padrão de vida perdulário e ineficiente no uso dos recursos naturais? Não existe solução fácil e mágica para os complexos problemas que afligem a sociedade. Quando vamos acordar da ilusão verde?

Junior Garcia – Professor do Departamento de Economia e Coordenador do Grupo de Estudos em MacroEconomia Ecológica (GEMAECO) da Universidade Federal do Paraná.

Fonte dos dados

FAOSTAT – Food and Agriculture data das Nações Unidas. Disponível em: http://www.fao.org/faostat/en/#home

UN Comtrade Database (UNCOMTRADE) – base de dados das Nações Unidas sobre o Comércio Internacional. Disponível em: https://comtrade.un.org/

SIDRA – Sistema IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de Recuperação Automática. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/

MapBiomas. Disponível em: https://mapbiomas.org

Sugestão de leitura

Planet of the Humans Puts Sacred Cows Out to Pasture, May 1, 2020, By Brian Czech.

Uma Economia para o bem-estar

Paul Sableman
The Only Sustainable Growth is Degrowth

A pandemia de COVID-19 tem incentivado as reflexões a respeito de mudanças no sistema social e econômico da sociedade. Neste contexto, os holandeses iniciaram uma discussão sobre o cenário pós-pandemia a partir de um modelo econômico baseado nas propostas de decrescimento.

Segundo reportagem do El Clarín, Chile, publicada dia 23 de abril de 2020 (traduzida e publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos (IHU) no dia 29 de abril de 2020), acadêmicos holandeses divulgaram manifesto em que propõem uma mudança do paradigma econômico e social mundial a ser conduzida no pós-pandemia.

A Holanda talvez seja o país que está assumindo o desafio de reestruturar sua economia com base no que precisamos para viver no presente. Nesse contexto, 170 acadêmicos holandeses publicaram um manifesto com cinco pontos para uma mudança de paradigma econômico pós-pandemia, com base nos princípios do decrescimento.

1) Mudar de uma economia centrada no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para uma que diferencie os setores que podem e devem crescer, que exigem investimentos (setores públicos críticos, energia limpa, educação, saúde etc.), de setores que devem diminuir radicalmente (petróleo, gás, mineração, publicidade etc).

2) Construir uma estrutura econômica baseada na redistribuição. Para isso, deve ser estabelecida uma renda básica universal, um sistema universal de serviços públicos, adoção de expressivo imposto sobre renda, lucro e riqueza, redução das horas de trabalho e empregos compartilhados, além de reconhecer o trabalho assistencial (cuidados de pessoas).

3) Transformar a agricultura convencional em uma agricultura regenerativa. Este modelo tem como base a conservação da biodiversidade, pressupostos da sustentabilidade e baseada na produção local e vegetariana, além de condições justas de emprego e salários agrícolas.

4) Reduzir o consumo e as viagens a partir de uma mudança drástica de viagens luxuosas e consumo inúteis para viagens e consumo básicos, necessárias, sustentáveis e aceitáveis.

5) Cancelamento da dívida de trabalhadores e proprietários de pequenas empresas, bem como de países do Sul Global (dívida para países e instituições financeiras internacionais)

Acesse o manifesto original.

Pandemia, Meio Ambiente e a Sociedade

Por Angela Welters e Junior Garcia

A pandemia da Covid-19 revelou a fragilidade da sociedade e de seu sistema econômico e social em fazer frente a eventos complexos e grande escala, os quais podem ocorrer com mais frequência conforme sinalizam os relatórios do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e do IPCC (The Intergovernmental Panel on Climate Change). Apesar dos alertas do IPCC e dos pesquisadores, quanto a ocorrência de eventos climáticos extremos e aos efeitos da degradação da qualidade ambiental, parece que a sociedade e o sistema econômico e social simplesmente se mostram alheios e indiferentes.

A cada novo evento climático ou “desastre ambiental”, a sociedade mais vulnerável tem amargado perdas incomensuráveis, com a perda de milhares de vidas e bilhões de dólares em perdas materiais.

Os surtos de doenças infecciosas transferidas de animais para humanos, por exemplo, revelam outra interface da relação sociedade-meio ambiente-economia, os quais têm chamado a atenção internacional nos últimos tempos. No período recente a sociedade já vivenciou surtos de Ebola, gripe aviária, gripe suína (H1N1), Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS), Síndrome Respiratória Aguda Súbita (SARS), vírus do Nilo Ocidental, Zikavírus, entre outras. Contudo, nenhum destes surtos de doenças infecciosas alcançou a magnitude dos impactos sociais e econômicos da epidemia (pandemia) do novo coronavírus, o COVID-19.

Talvez os surtos infecciosos anteriores tenham sido apenas um ensaio para o que estava por vir. Mas parece que a sociedade não aprendeu muita coisa, porque até o momento a pandemia de COVID-19 tem revelado que a sociedade e o sistema econômico e social não estão preparados para enfrentar um evento complexo de grande magnitude.

Neste momento, a pandemia de COVID-19 mostra seus efeitos pelo mundo, com milhões de casos confirmados, milhares de mortes, milhões de pessoas desempregadas e sem renda, sistemas econômicos e sociais ameaçados, resultando em trilhões dólares em perdas econômicas. Este cenário proporcionará uma das maiores crises sociais e econômicas da história do capitalismo e da sociedade moderna. O FMI (Fundo Monetário Internacional) sinaliza que esta crise deve superar o período da crise de 1929 e de longe a de 2007/08. A sociedade como a conhecemos está ameaçada.

Será que a sociedade como a conhecemos não seja a origem destas crises de saúde, sociais, ecológicas e econômicas?

É evidente que neste momento toda a discussão está centrada ao combate do COVID-19, tais como a busca de medicamentos e o desenvolvimento de vacinas. Em segundo plano tem-se a atenção para as medidas que visam reduzir as perdas econômicas e garantir o emprego (e da renda) agora e no pós-pandemia. O que ainda não tem sido incluído na devida medida neste debate são as mudanças sociais e econômicas necessárias para recuperar e proteger os ecossistemas. Está claro que dependemos do meio ambiente, e não o contrário, e que as crises recentes enfrentadas pela sociedade têm uma importante interface ecológica.

Desde o fim da II Guerra Mundial a sociedade tem devastado o meio ambiente, a tal ponto que agora tem comprometido a qualidade de vida das pessoas e o seu sistema econômico (entendido como o sistema organizado para prover os bens e serviços essenciais). Um estudo realizado por pesquisadores da Stanford University revelou que o desmatamento (perda da cobertura florestal ou vegetal) pode contribuir para a disseminação de doenças contagiosas para humanos. Isso porque o desmatamento abre a possibilidade do contato dos humanos com novos vírus; na medida que os animais perdem seus habitats ocorre uma aproximação com a sociedade e transmissão de novas doenças.

O exemplo mais famoso é a AIDS (HIV – Vírus da Imunodeficiência Humana), em que o vírus foi transmitido aos humanos pelo chimpanzé. E mais recentemente tem-se o COVID-19, em que as primeiras investigações indicam que a contaminação humana ocorreu a partir do consumo de carne animal infectada em regiões da China, mas especificamente em Wuhan.

Estudo do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) de 2016 já mostrava que “60% de todas as doenças infecciosas emergentes nos seres humanos são zoonóticas e estão intimamente ligadas à saúde dos ecossistemas”. As perdas florestais na África Ocidental, por exemplo, seriam a causa do surto de Ebola, uma vez que as cidades ou assentamentos humanos se aproximam cada vez mais da vida selvagem. As criações intensivas de aves e suínos estariam conectadas a outros surtos, bem como, o comércio de animais selvagens a outros. Além da perda de cobertura florestal e de habitas, tem-se a influência humana sobre o clima, sobre o uso e cobertura da terra e sobre a vida selvagem.

O resultado tem sido uma perda na biodiversidade, favorecendo determinados hospedeiros/vetores e patógenos. Assim, o avanço do desmatamento e a destruição dos habitats da vida selvagem estariam na causa da maioria destes surtos.

Apesar de o Brasil estar em meio a pandemia de COVID-19, os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que março de 2020 registrou a segunda maior taxa de desmatamento para o mês dos últimos cinco anos! Nem mesmo uma pandemia é capaz de conter o desmatamento no Brasil.

Mesmo com tantas evidências e alertas, a sociedade tem se comportado de maneira indiferente com o fundamental papel exercido por ecossistemas preservados para a qualidade de vida. Desse modo, não faz sentido pensar um mundo pós-pandemia do COVID-19 sem uma mudança na relação sociedade-meio ambiente-economia. Precisamos remodelar nossa sociedade e nossa economia (entendida como sistema econômico) a partir da dimensão ecológica.

É preciso adotarmos a dinâmica ambiental como modelo para a nossa organização social e econômica. Uma perspectiva ecológica e social. Sem uma mudança nesta relação, surtos infecciosos e desastres “ambientais” farão parte da rotina das pessoas. Já fazem, mas para não que a sociedade ainda não percebeu esta mudança. O problema é que não temos uma sociedade e um sistema social e econômico preparados para esta realidade! Estudo publicado por cientistas da Universidade de Harvard, na Revista Science, por exemplo, alerta para possibilidade de períodos de quarentena alternada até 2022 e de que o coronavírus Sars-Cov-2 teria incidência sazonal como outros vírus semelhantes.

Se permanecermos com a busca incessante ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) a despeito de seus impactos negativos sobre o meio ambiente e a sociedade, nada terá sido aprendido com a crise do COVID-19. A volta a “tal normalidade” deve ser encarada como uma oportunidade que o meio ambiente estaria oferecendo para a humanidade cuidar da sua casa comum, o Ecossistema Global.

Lembre-se, o Ecossistema Global não precisa dos humanos!

Até quando a sociedade e o nosso sistema social e econômico suportarão as crises ecológicas, sociais, econômicas e de saúde? Este é o momento de fazer um pacto social global em prol da melhoria da qualidade ambiental, sem a qual, qualquer ação em termos de infraestrutura econômica se mostrará ineficaz. Basta ver a tragédia em curso nos Estados Unidos, o país mais rico do mundo! É isto que deixaremos de legado para as futuras gerações?

Angela Welters – Professora do Departamento de Economia e Coordenadora do NESDE (Núcleo de Estudos em Economia Social e Demografia Econômica) da Universidade Federal do Paraná.

Junior Garcia – Professor do Departamento de Economia e Coordenador do Grupo de Estudos em MacroEconomia Ecológica (GEMAECO) da Universidade Federal do Paraná.

Webinar Visualização de dados na era do COVID-19

Stanford Online oferece um webinar online gratuito sob demanda (on-demand) sobre o COVID-19.

Stanford Online.

Em tempos de crise, como a pandemia de Covid-19, os dados são críticos para a compreensão dos problemas. Mas simplesmente coletar dados não é suficiente. Para fazer uso dos dados, precisamos ser capazes de comunicá-los de maneira eficaz e eficiente a um público amplo. A visualização de dados nos ajuda a compreender e disseminar rapidamente informações complexas.

Neste webinar online, a Professora Associada de Stanford, Kristin Sainani, apresenta conceitos básicos em visualização de dados, incluindo como representar graficamente diferentes tipos de dados, princípios de visualização eficaz de dados e como os gráficos podem enganar.

O Dr. Sainani também mostrará como diferentes representações visuais dos mesmos dados podem transmitir mensagens muito diferentes.

Você vai aprender neste webinar

  • Princípios da visualização eficaz de dados
  • Como diferentes visualizações moldam nossa compreensão da pandemia de Covid-19
  • Como os gráficos podem informar ou enganar

O Webinar é inglês.